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2021 - Uma retrospectiva

  • Foto do escritor: Blenda Lara
    Blenda Lara
  • 27 de dez. de 2021
  • 3 min de leitura

Atualizado: 5 de dez. de 2022

Blenda Lara - 27.12.2021


Povo, estava com saudades de escrever no blog, mas os afazeres da vida quase sempre me tiram meus maiores prazeres.

E assuntando, é natal e o ano termina. Não, não vou iniciar aquela música da Simone...

Esse ano passou com tanta brevidade, o ano em que nos acostumamos no novo normal, que de normal nada tem. Seguimos amedrontados por uma pandemia da qual só não tem medo quem não tem juízo. E a humanidade aprendeu? Não, foi só podermos voltar a estar nas ruas e os problemas de sempre estão retornaram.

Na nossa área podemos falar de golpes de Estado, o número de golpes em 2021 foi maior que nas duas últimas décadas. Provavelmente depois do ano em que tivemos de ficar trancados, 2020, os autoritários perceberam que tinham de tirar o atraso.

Para começar, a maior democracia do mundo foi atacada em janeiro. O capitólio foi invadido por simpatizantes de Trump que diziam ter sido o seu ídolo vítima de uma eleição fraudada. Venceu a força institucional sólida do Estado norte-americano, assim como o bom-senso: Joe Biden tomou posse.

Tomou posse com esperança, mas para a tristeza geral, decepcionou em sua maior crise. Depois de vinte anos de ocupação, os EUA deixaram o Afeganistão, em agosto de 2021, aparentemente, sem qualquer forma de planejamento. Kabul foi tomada pelo grupo Taleban e enquanto enxurradas humanas em desespero tentavam sair do país. Crise humanitária sem precedentes e que poderia ter sido evitada, não tivessem os EUA desejado repetir o fracasso de Saygon.

Em fevereiro, foi a vez de Myanmar. O governo civil foi deposto por uma junta militar que acusava o governo democraticamente eleito de fraudes nas eleições. Estamos como a professora de ginástica que dá sua aula e dança, enquanto os tanques tomam as ruas. A presidente deposta foi injustamente acusada e presa.

Em maio foi a vez do Mali. Esse golpe vem na sequência de uma instabilidade política iniciada em 2020. Em agosto desse ano, um grupo de soldados amotinados prendeu o presidente e o primeiro-ministro e estes, para evitar o derramamento de sangue, entregaram o poder. Em maio do ano corrente, o governo provisório chefiado por Bah N'daw sofreu novo golpe. Houve grande pressão internacional, contudo, e os militares prometeram fazer uma transição de governo em janeiro de 2022. Ressalte-se que foi o segundo golpe em 9 meses. A Organização da União Africana suspendeu o Mali como membro. O país é considerado pela Organização das Nações Unidas como o mais perigoso para seu pessoal em missão.

Em julho o Haiti foi abalado pelo assassinato de seu presidente. Eleições que estavam marcadas para acontecer em novembro, foram adiadas, sem data para realização.

Em 25 de Julho, na Tunísia, o presidente, Kais Saied, anunciou a suspensão das atividades do Parlamento e a destituição do 1o Ministro. O país enfrentava forte instabilidade política e econômica decorrentes da pandemia.

Já em setembro, foi a vez de Guiné. Um grupo de operações especiais prendeu o presidente, Alpha Condé. Os militares anunciaram a dissolução do parlamento e demais instituições democráticas, incluindo a Constituição. As fronteiras do país também foram fechadas. O país enfrentava problemas econômicos e políticos. Condé havia sido eleito para um terceiro mandato, o que era proibido pela constituição. Para tanto, realizou um plebiscito o qual foi concluído sob acusações de fraude.

Em outubro foi a vez do Sudão. Membros das Forças Armadas detiveram os dirigentes civis e dissolveram o Conselho de Transição, o qual fora estabelecido após a queda do ditador, Omar al-Bashir, em 2019. Dezenas de manifestantes foram mortos até que o primeiro ministro deposto, Abdallah Hamdock, firmou acordo com o general que liderava o governo de transição.

E agora estamos em 27 de dezembro e oremos que a democracia, essa senhora tão ultrajada, siga em paz até os fogos do dia 31 de dezembro de 2021.

Feliz ano novo a todos, paz e muita saúde e parabéns por ter conseguido chegar até aqui vivo. Aos que perderam seus entes queridos, a minha solidariedade.


* Blenda Lara Fonseca do Nascimento








 
 
 

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© 2020 Revista Brasileira de Análise Internacional ISSN 2965-1727

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