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O AMOR TOMOU POSSE EM BRASÍLIA

  • Foto do escritor: Blenda Lara
    Blenda Lara
  • 7 de jan. de 2023
  • 4 min de leitura

Atualizado: 12 de jan. de 2023

Depois de muitas incertezas e tumultos Luís Inácio Lula da Silva toma posse em cerimônia que emociona e repercute no mundo.


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Imagem: Ricardo Stuckert


O país e o mundo estavam de olho no Brasil, afinal havia muita incerteza quanto à posse de Lula, tanto se a mesma ocorreria, quanto se seria em clima de paz. Aquilo que se viu no domingo de 1 de janeiro é, em boa parte, devido ao esforço da 1a Dama, Janja da Silva.

O clima foi de paz e emoção, a capital do país foi invadida por simpatizantes e pessoas que sentiam um verdadeiro alívio com a saída de Jair Messias Bolsonaro.

Em verdade, foi necessário um governo de coalizão para vencer a maior ameaça à democracia que o Brasil teve desde a queda do regime militar. E isso fica claro. Vê-se, de uma certa forma, a união das duas maiores três maiores forças políticas do Brasil nos anos da redemocratização. O Partido dos Trabalhadores, grande vencedor dessas eleições. O PSDB, encarnado na figura de Geraldo Alckmin, que mesmo estando em outro partido, será sempre identificado com a antiga legenda. E o MDB, encarnado na figura da carismática Simone Tebet, que trabalhou muito pela eleição de Lula.

De fato, o grande vencedor é Luís Inácio Lula da Silva, que após uma prisão e o descrédito em sua vida pública, renasceu das cinzas como única esperança do Brasil contra a ameaça democrática que o governo anterior representava. A própria posse demonstrou a capacidade de Lula de gerar consenso interno e de projetar o Brasil no cenário internacional. Houve o comparecimento de setenta delegações estrangeiras, muitas das quais representantes de países que haviam se distanciado do Brasil durante o mandato do predecessor. A lista de presentes também é indicativa de um novo relacionamento com os vizinhos sul-americanos. Muitos desses representantes permaneceram na capital federal para ter reuniões com o mandatário e sinalizarem uma reaproximação e novos acordos, como foi o caso de Portugal e Alemanha.

Da cerimônia de posse, significativa foi a passagem em revista das Forças Armadas, especialmente após o real risco de golpe. De forma humilde, Lula, que poderia ter feito uma continência, já que é chefe das forças armadas do país, fez uma reverência.

Outro ponto que demonstrou a harmonia no governo, foi o desfile em carro aberto, do presidente, da primeira-dama, do vice-presidente e sua esposa, muito elegante em um modelo branco. Lula soube dar os louros aos que possibilitaram esse momento junto com ele. Houve um momento para todos.

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Janja esbanjava simpatia e simplicidade em um vestido que estava como o dia, cor de sol. A primeira-dama brilhou em um modelo de terninho, de excelente caimento e acabamento, que privilegiou a indústria da moda e elementos da natureza do país. O terno foi tinto em caju. Os bordados foram feitos por bordadeiras do Rio Grande do Norte. Janja carregou o Brasil na posse de seu marido. Tudo para uma socióloga tem significado. Foi mais que meramente usar uma roupa, ela quis dar visibilidade à arte de seu país.

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Foto: José Cruz/Agência Brasil


De fato, a primeira dama tem em si o êxito de ter conseguido organizar a posse presidencial mais prestigiada de um presidente brasileiro. Foi destaque em diversos jornais internacionais que dedicaram até seis páginas a falar de seu marido e do evento.

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Foto: Ricardo Stuckert


Diante da ausência de representantes do governo anterior não desejando passar a faixa. Lula subiu a rampa acompanhado de todos os que se sentiram excluídos, especialmente nos últimos anos. Um jovem com deficiência, uma criança negra da periferia, o cacique Raoni, uma catadora de reciclados, uma cozinheira, um professor e a cadelinha Resistência. Diferente de um governo que dizia que as minorias deviam se curvar à vontade da maioria, o recado do petista foi que esse é um governo de todos. O recado foi de amor e inclusão. Além disso, o recado é de apoio de boa parte da sociedade, que só quer paz após um período tão turbulento.

Em comentário com amigos, eu mesma disse que não fazia diferença a ausência do ex-mandatário, o povo dava posse a Luís Inácio, e assim se fez.



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Foto: Ricardo Stuckert


Parece que até os céus estavam em festa. A chuva deu trégua em Brasília e o céu coloriu-se de uma forma que gerou belíssimas imagens para quem via o evento pela televisão. No momento em que eu pensava isso, o eterno âncora da Rede Globo, William Bonner comentava o ensaio plástico que se desenhava a partir dos contornos do arquiteto de Brasília, que não é só Niemeyer nesse caso.


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Foto: Ricardo Stuckert


Não foram poucos os momentos para lágrimas. Talvez de emoção, de alívio ou simplesmente para extravasar. Enquanto nas portas dos quartéis alguns ainda elaboravam planos para dominar o Brasil, nesse mesmo dia da paz ocorreu o que seria há alguns anos seria inimaginável. Luís Inácio voltou à presidência provando ser melhor do que aquilo que lhe fizeram. Resta seguir os passos dessa nova chance que foi dada e desejar êxito.

 
 
 

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© 2020 Revista Brasileira de Análise Internacional ISSN 2965-1727

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